AVALIAÇÃO DO BIOCARVÃO DE SEMENTES DE AÇAÍ OBTIDO POR PIRÓLISE COMO CONDICIONADOR DE SOLO PARA O CULTIVO DE MUDAS DE EUTERPE OLERACEA NA AMAZÔNIA
Biocarvão. Pirólise. Sementes de açaí. Condicionador de solo. Euterpe oleracea.
Este trabalho apresenta a avaliação do biocarvão produzido a partir de sementes de açaí (Euterpe oleracea Mart.) obtido por pirólise térmica, visando seu uso como condicionador de solo no cultivo de mudas de açaí na Amazônia. A pesquisa tem como propósito contribuir para a valorização de resíduos regionais e para a promoção de práticas agrícolas sustentáveis. O biocarvão foi produzido em reator de pirólise operado a 450 °C, temperatura selecionada por proporcionar elevado rendimento e estabilidade estrutural ao material. As sementes de açaí, após coleta e secagem em estufa a 105 °C por 24 h, apresentaram umidade de 38,14%, com rendimento de 61,86% na secagem e 71,72% na cominuição. As análises imediatas revelaram teor de voláteis de 81,63%, cinzas de 1,38% e carbono fixo de 17,0%, indicando composição adequada para a produção de biocarvão. O processo de pirólise apresentou rendimento de 32,91% para o biocarvão, 5,64% para o bio-óleo e 40,86% para a fase aquosa, valores compatíveis com os observados em estudos prévios com biomassas lignocelulósicas amazônicas. A metodologia adotada inclui a incorporação de diferentes doses de biocarvão (0%, 2,5%, 5% e 10% v/v) em Latossolo Amarelo distrófico, em delineamento inteiramente casualizado, com cinco repetições, totalizando vinte unidades experimentais. Serão avaliados parâmetros morfológicos e fisiológicos das mudas ao longo de 120 dias, bem como alterações químicas e físicas do solo após o cultivo. Os resultados parciais demonstram que as sementes de açaí possuem características físico-químicas favoráveis à conversão termoquímica e à geração de biocarvão com potencial para uso agrícola. A continuidade do estudo permitirá determinar os efeitos do biocarvão sobre a fertilidade do solo e o desenvolvimento das mudas de açaí, consolidando sua aplicação como tecnologia de baixo impacto ambiental e contribuindo para o manejo sustentável de resíduos orgânicos na Amazônia.