SISTEMA FORNOS-FORNALHA NA AMAZÔNIA: EFEITO DA DENSIDADE DA MADEIRA DE RESÍDUOS DO MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL NA EFICIÊNCIA DO PROCESSO, NA QUALIDADE DO CARVÃO VEGETAL E NA REDUÇÃO DAS EMISSÕES
Carvão vegetal; resíduos de manejo florestal sustentável; sistema fornos-fornalha.
A produção de carvão vegetal a partir de resíduos de Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) na Amazônia representa uma alternativa estratégica para a descarbonização do setor energético e siderúrgico, aliando o aproveitamento de resíduos florestais à redução de emissões de gases de efeito estufa. O objetivo foi avaliar como a segregação da biomassa com base na densidade influencia a eficiência da carbonização, a qualidade do carvão vegetal, o desempenho energético e as emissões de gases de efeito estufa em condições de escala real. A pesquisa foi conduzida em uma unidade demonstrativa localizada no município de Paragominas, Pará. Dezoito espécies tropicais foram segregadas em duas classes básicas de densidade (≤0,500 e ≥0,700 g cm⁻³). A densidade básica seguiu a norma NBR 11941, o teor de umidade a NBR 14929, os extrativos a NBR 14853, a lignina a NBR 7989 e o poder calorífico a ASTM E711-87; a análise imediata do carvão vegetal seguiu a norma ASTM D1762-84. Seis ciclos de carbonização foram monitorados utilizando termopares internos tipo N e pirometria externa. O rendimento gravimétrico, a eficiência energética e o rendimento de carbono fixo foram calculados, e as emissões de GEE foram quantificadas usando uma estrutura MRV baseada em fatores de emissão de CH₄ dependentes do rendimento e fatores de emissão de CO₂ dependentes da umidade. A densidade básica variou de 0,266 a 1,088 g cm⁻³, os extrativos de 2,86 a 21,60%, a lignina de 29,31 a 33,24% e o PCS da madeira de 19,1 a 21,2 MJ kg⁻¹. O rendimento gravimétrico do carvão vegetal variou de 27,45 a 35,83% (base seca), o carbono fixo de 76,96 a 81,33% e o PCS de 28,81 a 32,89 MJ kg⁻¹. A intensidade de emissão diminuiu de 1,797 para 1,091 t CO₂e t⁻¹ com a melhoria do rendimento, e a combustão parcial de gás reduziu 240,85 t CO₂e ano⁻¹. Os resultados demonstram que a segregação por densidade, combinada com o controle térmico, aumenta significativamente a produtividade e o desempenho climático dos sistemas de produção de carvão vegetal na Amazônia.