Banca de DEFESA: PAULA DANIELE MARTINS MORAES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : PAULA DANIELE MARTINS MORAES
DATA : 26/02/2026
HORA: 08:30
LOCAL: ICA, Belém (online)
TÍTULO:

Alterações florísticas no entorno de um lixão a céu aberto na Amazõnia Oriental


PALAVRAS-CHAVES:

Ecossistemas ripários; Fitossociologia; Saberes tradicionais; Bioindicadores vegetais.


PÁGINAS: 61
RESUMO:

A crescente degradação ambiental na Amazônia, intensificada pela urbanização desordenada e pela destinação inadequada de resíduos sólidos, tem provocado alterações significativas em ecossistemas sensíveis, especialmente nas florestas ripárias. A permanência de lixões a céu aberto representa um dos principais passivos ambientais na região, comprometendo a qualidade do solo, dos recursos hídricos e da vegetação, além de gerar implicações socioambientais para comunidades tradicionais que dependem diretamente da biodiversidade local. Apesar dos avanços normativos promovidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, muitos municípios amazônicos ainda mantêm formas inadequadas de descarte, evidenciando a necessidade de investigações que integrem dimensões ecológicas e sociais desses impactos. Diante desse contexto, esta dissertação teve como objetivo avaliar a influência de um lixão a céu aberto na composição florística, diversidade e estrutura da vegetação em floresta ripária no município de Barcarena, Amazônia Oriental, bem como analisar o uso de plantas medicinais por comunidades tradicionais situadas em seu entorno. O estudo foi estruturado em dois capítulos complementares, articulando abordagens ecológicas e etnobotânicas para compreender os efeitos ambientais e suas repercussões sobre o conhecimento tradicional. No primeiro capítulo, foram estabelecidas sete parcelas permanentes, sendo três em áreas sob influência direta do lixão e quatro em áreas controle. Foram inventariados indivíduos arbóreos com DAP ≥ 4,7 cm, totalizando 948 indivíduos distribuídos em 134 espécies e 43 famílias botânicas. As análises revelaram redução expressiva da riqueza e da diversidade nas áreas impactadas, que registraram 49 espécies e 218 indivíduos, enquanto as áreas controle apresentaram 111 espécies e 730 indivíduos. Observou-se predominância de espécies tolerantes a ambientes perturbados, indicando processo de homogeneização florística. As curvas de rarefação e a ordenação NMDS confirmaram distinções estruturais entre os ambientes, sugerindo que a contaminação decorrente da disposição inadequada de resíduos atua como filtro ecológico, alterando a dinâmica da comunidade vegetal e potencialmente comprometendo a funcionalidade ecossistêmica. O segundo capítulo abordou o levantamento etnobotânico de plantas medicinais utilizadas por 35 famílias distribuídas em 10 comunidades próximas ao lixão. Foram registradas 297 citações correspondentes a 86 espécies pertencentes a 43 famílias botânicas, com destaque para Lamiaceae, Fabaceae e Asteraceae. Predominaram espécies nativas da Amazônia, embora espécies exóticas cultivadas em quintais tenham apresentado elevado consenso entre os informantes. As folhas constituíram a parte mais utilizada, principalmente na forma de infusão, com aplicações terapêuticas concentradas nos sistemas digestivo e respiratório. Os resultados evidenciam a permanência e a adaptação do conhecimento tradicional em contextos de antropização, mas também apontam possíveis vulnerabilidades associadas à exposição ambiental. De forma integrada, os achados demonstram que os impactos de lixões a céu aberto extrapolam a degradação ecológica, alcançando dimensões sociais e culturais. A simplificação estrutural da vegetação, associada à dependência das comunidades locais de recursos vegetais, reforça a necessidade de políticas públicas que integrem gestão adequada de resíduos, monitoramento ambiental e valorização do conhecimento tradicional. Assim, esta dissertação contribui para o entendimento dos efeitos ecológicos e socioambientais de passivos urbanos na Amazônia Oriental, destacando a importância de estratégias de manejo que promovam resiliência e sustentabilidade a longo prazo.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1358527 - WALMER BRUNO ROCHA MARTINS
Interno - ***.574.032-** - LUIZ FERNANDES SILVA DIONISIO - UEPA
Externo ao Programa - 1551175 - RODRIGO SILVA DO VALE - UFRAExterna à Instituição - Daniela Pauletto - UFOPA
Notícia cadastrada em: 20/02/2026 12:54
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